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O Filho de uma Pátria

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Senta aqui, vou te explicar
Que essa loucura de esquerda e direita
Não ajuda nada nem a ninguém
Tu trabalhas, lutas por uma vida melhor
Tu vives do teu suor
Tu choras, tu sentes cansaço
Tu sonhas com um lar
Tu almejas ser maior.

Aí é quando tu vês
Que a tua luta, gauche
Que a tua guerra santa
É roubada de ti.

Aí é quando tu vês
O prêmio mor da delação
O rio podre que inunda o planalto
Os amores deles sendo trocados
E tu se matando e sendo mal amado.

Tiram teu suor, sugam tua vida
Tiram teu descanso, exploram tua riqueza
Fazem de ti um capacho
Botam o dedo na tua cara e calado ficas.

É aí que tu vês
O quão nada tu és
É aí que tu não te revoltas
Não levanta o verde e o amarelo
Não dá um brado sequer
E teu filho foge à luta.

Vais trabalhar até morrer
Não adianta ser esquerda
Nem adianta ser direita
Vais sofrer como todo mundo
Vais chorar como todo mundo
E vai se arrepender
De nunca ter sido um filho de uma pátria.

Somos Fogo, Amor e Paixão

Cresci amando a vida e a sua história
Seu sorriso, seu encanto e sua alegria.
Achei-me em alma, corpo e energia
Achei-te na rua, na luta e na vitória.

Andei contigo firmado no tempo bom
Abracei-te, enrolei-me a ti no tempo mau
Sorri e me vi amando como um passarinho
Vi-te voando feliz, amando meu carinho.

Sorri pela alegria de sentir esse fogo
Que arde intenso e forte sem se ver
Deitei-me em tua cama nesse jogo
De verdade sem aquele medo de viver.

Vi-me amarrado, atado a esse teu sonho
De viver por viver. De rir e ser risonho
Da vida, do mundo, do tudo.

Doei-me a ti o coração
Bem maior que a razão
Pois nesse extenso sertão
Tudo é mais que uma ilusão.

Vi amadurecer em mim um fruto
Vi tirares de mim em tom de furto
Esse que é meu ser, meu sonhar
Minha história, minha forma de amar.

Provaste de mim somente a verdade
Somos foras da lei em cumplicidade
Somos carne, sangue e coração
Somos fogo, amor e paixão.

Pois é!

Quando eu vejo uma turma de 9º ano se formando...

Penso logo nos dias bons.
Lembro daquele Halloween
Das conversas e brincadeiras
Lembro também daquelas aulas que fluíram
Também lembro daquelas que em nada fluiu

Trato de lembrar logo dos sonhos
Desses que sonhamos quando alunos.
Daquelas revoluções e rebeldias sem causa.
Daqueles momentos doces de uma breve pausa.

Lembro daquele mico que pagaram
Daquela peça que fizeram
Dos textos que traduziram
Das histórias que construíram.

Alegro-me em ser testemunha
Desses novos heróis e heroínas
Novos guerreiros e guerreiras
Novos e futuros campeões.

Hoje sou só sorrisos!
A mim nada a ser reconhecido
A não ser o prazer de viver
Todo o tempo para vir a ver
Que vão ser gauches na vida!
Caminharão, lutarão e triunfarão.

O Verde, o Amarelo, o Negro e o Marrom

Numa saída de casa, indo pela rua
Vi um pai à procura por sustento
Falta o saber pro filho e um acalento
E falta o leite pra filha, ai a verdade crua.

Caminhei pela praça do Catumbi
Sentei no banco ao meio e vi o céu negro
Vi várias cotas, vários achismos
Vários gritos e falta de consciência
Vi um bate e volta, vi a intolerância.

E pela Rua Itapiru
Vi traços cortando o ar em silêncio
penetrando as almas de gente boa
Vi mães gritando e filhos calados
Vi fardas e desfardas andarem armados.

Vi no Rio de Janeiro a desigualdade
Um grito no nada pela insalubridade
Vi furtos à surdina e ninguém falar nada
Vi jovens com proibidões, não pensarem nada.

No Largo do Rio Comprido eu vi
O céu negro apanhar em palavra
Liberdade de Áurea ele teve
Mas sociedade de abrigo e igualdade...

Vi no estado do Rio a calamidade
Vi em Mariana o ferro, o zinco e o cobre
Vi falta d'água, falta de luz, falta de amor
Vi o doce virar amargo encoberto de lama
Vi a solidariedade e a indiferença lado a lado.

Ainda v…

O Trem

No ventre carrega a vida
Ambulantes vendendo o dia
Passageiros esperando o destino
O silêncio em constante perturbação
E os trilhos vou seguindo.

A cada estação se ouve
Os preços lançados ao vento
E ali, num dado momento,
Alguém prega a palavra
Conversas diversas lançadas
E os trilhos vou seguindo.

Central, Triagem, Manguinhos...
A cada estação se ouve
A narração de um jogo em rádio
O vai e vem de um roqueiro
Os ambulantes vendendo o dia
E os trilhos vou seguindo.

Nota-se uma esperança no olhar
De pessoas, cuja vida vai começar
Cuja história ainda vai completar
A cada estação se ouve
Uma oferta, um jogo, uma música

E os trilhos vou seguindo...

O Amor me Consola

É tão ruim Olhar para o branco