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Desencanto

Nesse momento O telefone não toca Não sou percebido Não sou visto Não almejo visão Nem tão pouco validação Não procuro reconhecimento E só, eu vivo esse momento Não comemoro Não bebo Não me embebedo de vida Não me estabeleço na rua Não comando Não obedeço E sei que há pouco de mim Pois o tanque está quase vazio Vazio eu me sinto Pois não produzo interesse Poucos se aproximam Pois nada ofereço Muitos se foram Pois o interesse em mim se perdeu Muitos partiram Pois a vida assim o quis Entes que um dia foram queridos Amigos que de mim foram escolhidos Colegas que se fizeram presentes Só estavam ali para ouvir Somente para ver se tinha algo Um interesse, um objetivo Mas nada tenho Nada sou O motivo acabou Para os entes, ele nunca existiu De me fazerem presente De me terem por perto Vejo assim o que é certo Hoje Eu vi uma rachadura Ela sempre esteve lá Sempre me acompanhou na sala Eu só abri os olhos Eu a vi Não consigo deixar de ver.

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