O Quarto II


Queria tanto sonhar
acreditar na irrealidade
de que o amor é logo ali.

Queria tanto apostar na apostasia
essa de ter em mim a alegria
vontade de preencher de cores o meu quarto.

Todo desarrumado, todo zoneado
eis que há nele roupas jogadas ao alto
a tv pelo menos foi consertada
no entanto perdi a minha janela para o mundo.

Não posso mais mergulhar profundo
nesse céu de mar azul escuro
meu olhar nele não é mais puro.

Tornou-se obsoleto na treva do dia dia
o coração carrega consigo a sina
de ser uma pequena e corajosa ilha
de sonhos e desejos impossíveis.

Ainda que me falte comida
ainda que me falte bebida
não há de faltar em mim a fé
de que ser quem sou já é a diferença.

Já é, meus caros, a beleza de uma crença
acreditar que aquela mulher pode mudar
de que aquele olhar que enfeitiça poderá ficar
nas páginas dessa esperançosa vida.

Eis que as paredes deste quarto hão de ouvir
os gritos, os ugidos de soberania e controle da própria vida
mas não o controle do verdadeiro amor.
Ah amor! Ah dor!

Thiago Guimarães de Pina

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