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Mostrando postagens de Novembro, 2008

Saudade de um Sabiá

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Acordo de madrugada
a noite lá fora inspirada.
Olho para o céu e procuro Deus
por pensamentos só então meus.

Procuro entre as estrelas
paisagens belas e sereias
respostas então boas e alheias
sorrisos então doces e verdadeiros.

Procuro por vários paradeiros
por onde andas tais estrangeiros
procuro paz na alma, um passageiro
procuro verdade e saída de um devaneio.

O coração então acorda forte
batendo no peito como um corte
uma ferida que doí e ali fica
uma espada que ali finca

Sua ponta afiada
nesta pedra desesperada
sua ponta afiada
no desespero desta amada

Saudade que doí no peito
amor esse que perfeito
devaneia pelas estrelas
pelos mares e sereias.

Saudade daquele beijo
saudade daquele desejo
tenro de entrega
louco de espera.

Saudade daquele sorriso
daquele olhar qual viso
mergulhar e então ali ficar
saudade de ti, somente amar.

Os olhos de lágrimas ficam
os olhos de rios se esticam
pelas márgens deste rosto
pela foz deste louco gosto.

Pelo canto deste sabiá
cantando aqui como lá
jamais irá então amar
saudade...

Thiago Gu…

Sonhos

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Eu já não sei mais da vida
eu já não verei mais comprometida
esta batida que tão forte
mexe minha alma por sorte.

Eu já não sei mais da realidade
desse realismo surreal irrealizando
toda a minha vista e vontade
que por fim pede por caridade

Um abrigo escondido
um porto seguro permitido
a entregar estas lágrimas
estas mesmas de ingenuidade.

Não reparem esta vaidade
humana de criança louca
de criança voraz e rouca
para gritar a liberdade

Não reparem se de repente
sorvetes e doces cairem do céu
não reparem ainda se for de mel
este sabor que é tão leve

Ainda daquele dragão que segue
cuspindo fogo e batendo asas
não reparem se virar uvas passas
não reparem se por fim virem
que tudo que versei eram sonhos.

Thiago Guimarães de Pina

Num Momento de Solidão

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Num momento de solidão
escuto bater o coração
escuto com toda quietude
escuto com toda atitude
sem cair em ilusão.

Num momento de solidão
renego a todo o Não.
Ouço quem toca violão
navego segurando o timão
por esta vida de limão.

Num momento de solidão
paro e escuto o coração
escuto ele dizer não
pairar naquele talvez
procurar pelo freguês
do Si-m deste violão

Aqui nasceu um louco
que viveu apenas um pouco
aqui cresceu um idoso
um moleque com gozo.

Pela vida que tem
ele é mais que um alguém
pela história que sem
esta mulher ele não é ninguém

Num momento de solidão
paro e toco meu violão
expresso esse meu coração
a viver pelo sim e pelo não
no canto desta canção

Num momento de solidão...
num momento de solidão...
entrego meu coração.

Thiago Guimarães de Pina

Preto no Branco

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Vamos meu irmãos
vamos todos sãos
pegar um lápis e papel
vamos olhar para o céu

Pensemos ali firmes
olhem para o lado
para a cor do amigo
e façam o retrato-falado

Pensemos que ele também respira
vejam que ele ali também aspira
ser tão igual como todos nós
e fazer a vida sem nenhum nó

Pensemos como num papel
o preto que se faz tão importante
quanto o branco onde é escrito
o preto então incorpora em espírito

E preenche aquela página branca
trás para todos nós um ar de esperança
pois o preto que tanto negamos
faz parte do branco que tanto sonhamos

Pensem como escrever uma página branca?
que outra cor ficaria tão perfeita
para dizer o que pensa quando criança
que outra cor seria então e ali aceita

Se não o preto que guarda bem
o pensamento que sem ele nem
registrado ficaria como um bem
pois ele nos completa também

Pensem em que roupa usamos
se não o preto em dia branco
pensem no frio branco que adoramos
e no preto quente que abraçamos

Pensem como um completa o outro
pensem apenas no equilíbrio
pensem apenas no sentido
de c…

Preciso

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Hoje eu preciso
hoje aqui necessito
dizer a todos que ouvirem
a todos que ainda sentirem

Hoje eu preciso gritar
pois a chuva está no ar
no vento que carrega
cada gota que o chão pega

Hoje eu preciso
sim eu necessito
dizer a todos que quiserem
a todos que aqui vierem

Hoje eu preciso falar
preciso vir aqui versar
preciso então vos contar
o que estou aqui a declarar

Levem em consideração
levem tal palavra no coração
pois hoje eu preciso
mais ainda necessito

Dizer intensamente
dizer, assim, de repente
que tal mulher eu amo
que tal mulher quero tanto.

Thiago Guimarães de Pina

A loucura de, enfim, amar

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Amar é um constante ato
um doce e delirante fato
de loucamente se entregar
sem idéia do que vai ganhar

Amar é até então
mergulhar de cabeça
num infinito espírito
que desperta o seu melhor

Expõe também o seu pior
mas que no fim, amar
é se jogar num imenso mar
num mergulho profundo

Num entendimento do mundo
grande e louco que vivemos
mais que humano seremos
pois amar é despertar a alma

Amar é mais do que se pode definir
amar é apenas um ato louco de sentir
o que outra pessoa também sente
o que neste encontro também tende

Haver enfim união
por cima de "sim" e "não"
além de um talvez
pois esta é a nossa vez

Amar, enfim é loucura
um ato de beleza pura
um enobrecimento da humanidade
um enaltecimento da nossa vontade

Amar é entregar a alma
pois o corpo vem depois
e todos vós que então sois
capazes de aqui criticar

Atire em mim uma pedra
pois amar também enlouquece
lembra-me do que esquece
refaz o que em vida perece
imortaliza a quem fez esta prece.

Thiago Guimarães de Pina

Tempo

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O tempo é o melhor remédio
o tempo é o melhor prédio
já construído para cair
nas ruínas da eternidade.

O tempo tem a sua vaidade
tem o seu lado exotérico
que perpassa a nossa cumplicidade
e por fim para no necrotério.

O tempo toca a alma
que cabe ali na palma
da mão de quem cai em fama
de quem quer apenas uma cama.

O tempo persuade a você
buscar lá no interior
o melhor do seu ser
extrai de ti o prior
que parodeia com o complexo
sentido inverso do nexo.

Louco instante de entrega
louco momento de um pega
agarra, larga, pede e despede
implora e ali então cede
o coração

O tempo é tão louco
quanto a quem escreveu estes versos
tão louco a ponto de declamar
em mil línguas o verbo amar

O tempo enfim é tão curto
que sentir um amor puro
é mais do que uma página
nesta vida tão louca

O tempo e por si só
é a foz de toda a razão
a correntezão de toda alusão
e o mar de todo coração
basta acreditar.

Thiago Guimarães de Pina

O Verdadeiro Poeta

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A cortina se abre e no palco
está um homem a pensar
o público o observa atentamente
e o homem paciente e momentaneamente
gesticulava enquanto falava rimas.

Todos na platéia o admiravam
todos sem excessão o olhavam
indiscriminadamente ele continuou
a falar aquelas palavras rimadas
palavras que poderia dizer: apaixonadas.

O homem em meio a todas aquelas rimas
parou. Observou a platéia que o admirava
Esta até então nada ali entao falava
o silêncio que se fazia era interminável
era como tal forte e insuportável

O homem ainda sobre forte pressão
continuou ali a declamar com coração.
Olhou para toda aquela intensa gente
que ali o encarava armada até o dente

Ainda assim ele não desistiu
ele tinha que passar o que viu
o que sofreu e naquela vida sentiu
o que comprimiu e naquele momento
ele então sentou-se na beira e repartiu

Todos na platéia acompanharam com o olhar
aquela ousadia então nova e fácil de acompanhar
todos se aproximaram para ouví-lo melhor
e o homem grato apenas terminou dizendo:
que bom que estamos juntos…

Este Poeta Vive

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Para os que se perguntaram
ele morreu?
e para os que ali falaram
será que desapareceu?

Eis que este poeta não morreu
eis que nem tão pouco desapareceu
eis que este poeta, enfim, ama
eis que este poeta tem uma cama

Não pensem que iria deixar de poetar
e nem tão pouco achem que iria caminhar
rumo ao esquecimento
fugindo do vosso pensamento

Eis que este poeta não morreu
só foi ao céu e enfim voltou
conhecer o paraíso de amar
e enfim voltar aqui para contar

Não pensem que tirei de uma música
verso esse de expressão pura e única
não pensem mal de mim
só pensem neste fim

De que este poeta encontrou
o que na vida tanto procurou
um amor louco para amar
um canto maravilhoso para ficar.

Thiago Guimarães de Pina